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Oncologia de Precisão: do Diagnóstico ao Tratamento (parte 3)

O papel do médico frente ao câncer:

Comunicar a uma pessoa que ela tem câncer é uma tarefa extremamente delicada. Devido à gravidade da doença e ao estigma que muitas vezes acompanha a experiência dos pacientes, que em geral se assustam e associam a doença à morte, a relação médico-paciente em oncologia tem grande importância.

Os profissionais, muitas vezes, dependem de sua experiência e julgamento pessoais em relação à decisão de informar ao paciente sobre sua doença, bem como sobre a melhor maneira de comunicar e em que momento fazê-lo.

A comunicação do diagnóstico ao paciente é dever do médico e está prevista em seu código de ética profissional. A não comunicação só é permitida em casos de pacientes pediátricos, ou quando suas condições físicas ou psicológicas não permitam uma correta compreensão de sua doença, devendo nesse caso ser o diagnóstico comunicado à família ou responsável. É, pois, uma conduta de exceção e exige do profissional discernimento e envolvimento suficientes para saber reconhecer para quais pacientes a verdade pode ser omitida.

Cabe ao médico buscar reverter ou mesmo amenizar essa situação, fazendo o paciente se sentir seguro e otimista em relação ao tratamento. E não só: a família também deve receber atenção, por ser alvo e origem de estresses emocionais.

Uma das referências metodológicas mais adotadas internacionalmente para a comunicação de más notícias é o protocolo SPIKES, criado por Buckman em 1992. Nos anos 2000, o protocolo foi adaptado e direcionado para o contexto da oncologia. Ele se baseia em seis passos:

 

• O primeiro, CONFIGURANDO, consiste na preparação da entrevista, que vai desde a escolha do lugar ideal até a forma de se apresentar ao paciente.

• No segundo, PERCEPÇÃO, o médico deve buscar avaliar o que o paciente já conhece sobre a doença e a percepção que tem dela.

• No terceiro, CONVITE, deve-se identificar até que ponto o paciente deseja saber os detalhes de suas condições, para que o médico não transmita informações que o paciente não desejava ouvir.

• No quarto, CONHECIMENTO, o médico transmite a má notícia. É recomendado o uso de termos de fácil compreensão e que se transmita a verdade. O médico tem como dever ético ser honesto e objetivo, pois o paciente precisa saber da realidade da situação, mesmo que o prognóstico seja ruim. No entanto, é possível fazer isso de forma atenciosa e delicada, sem tirar as esperanças do paciente e buscando diminuir o risco de que ele se deprima, o que pode dificultar o tratamento.

• No quinto, EMOÇÕES, deve-se trabalhar as reações emocionais do paciente de forma empática. Nesta etapa, é fundamental estar disposto a ouvir, saber o que a pessoa já sabe sobre a doença, o que gostaria de saber, quais as expectativas, os medos. Isso também ajuda a construir uma relação de confiança entre o paciente e o médico.

• E, finalmente, no sexto passo, ESTRATÉGIA E SUMÁRIO, é o momento de apresentar e discutir o plano terapêutico e o prognóstico, alimentando expectativas reais e considerando a autonomia do paciente para escolher o tratamento. O objetivo deve ser oferecer o melhor tratamento, buscando a melhor qualidade de vida possível.

 

Na oncologia, destaca-se a importância da humanização da comunicação entre o médico e o paciente. Ela está diretamente relacionada à forma como o paciente percebe o sofrimento e pode interferir na integridade física, psíquica e social dele. O ideal é que o médico busque uma relação centrada no paciente, não apenas na doença, dando a ele motivos para se sentir forte e otimista para encarar as etapas do tratamento.

 

Oncologia de Precisão

 

Conclusão:

Diante de uma doença grave como o câncer, a evolução da oncologia de precisão dá motivos para otimismo.

Antes considerada uma “sentença de morte”, isso cada vez menos é a realidade, graças aos avanços tecnológicos, estudos e pesquisas como os da oncologia de precisão, que revolucionou as formas de diagnóstico e tratamento da doença.

Além de aumentar as chances de sucesso do tratamento, a oncologia de precisão está transformando-o em uma experiência menos traumatizante para o paciente, reduzindo os efeitos colaterais e garantindo uma melhor qualidade de vida durante todo o processo.

A comunicação do diagnóstico ao paciente é dever do médico; porém, quando se trata de câncer, os profissionais apresentam dificuldades em dialogar abertamente com os doentes. A taxa de omissão das informações foi superior entre os médicos não especialistas; porém não foi nula entre aqueles que trabalham habitualmente com o câncer.

Portanto, previna-se, seja uma pessoa saudável e VIVA PLENAMENTE!

 

Dr. Renato Cramer
Médico Oncologista Clínico CRM/RS 26.802

Leia a parte 1 do artigo clicando aqui e parte 2 aqui.

One thought on “Oncologia de Precisão: do Diagnóstico ao Tratamento (parte 3)”

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