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Oncologia de Precisão: do Diagnóstico ao Tratamento (parte 2)

Embora muitos tipos de câncer possam ser “silenciosos” e somente identificados quando já em estágios avançados, todos eles deixam uma espécie de rastro. Essas substâncias, que podem estar presentes no sangue, na urina, em fluidos e tecidos corporais, são chamadas biomarcadores, e podem indicar a existência de câncer ou outros tumores não necessariamente malignos.

Os biomarcadores são identificados em um exame relativamente simples, no qual o médico retira uma amostra de tecido do próprio tumor ou de fluidos corporais e os envia ao laboratório. Para analisar a presença e os níveis dos biomarcadores são utilizadas técnicas de imunohistoquímica. Entretanto, o exame não tem uma especificidade rigorosa, o que pode levar a resultados falso positivos ou negativos, ou seja, indicando a presença de câncer quando esta não existe ou não a indicando quando existe. Por isso, por mais promissores que possam parecer para o diagnóstico da doença, por enquanto são utilizados para este fim somente em casos nos quais a biópsia não é praticável.

Para o tratamento, porém, os biomarcadores podem fazer toda a diferença. Isso porque se a presença deles for confirmada nos casos em que o câncer é devidamente diagnosticado, a terapia pode ir “direto ao alvo”. Além disso, acompanhar os níveis das substâncias durante o tratamento é uma forma bastante assertiva de identificar se ele está funcionando ou não. Se houver diminuição nos níveis de biomarcadores, significa que a terapia é eficaz para o paciente; caso contrário, ou mesmo se não houver nenhuma mudança, o médico pode considerar mudar a abordagem.

 

Oncologia de Precisão

 

Atualmente, já existem algumas dezenas de biomarcadores conhecidos e exames que podem ser utilizados para identificá-los. Os mais comuns são:

ALK: enzima que, se identificada sua presença, pode auxiliar a definir o tratamento do câncer de pulmão.

BRCA 1: conhecido como “o gene do câncer de mama”, sua expressão pode indicar um bom potencial de resposta para certos tipos de terapia.

CD117: interage com fatores de crescimento celular, desempenhando um papel na sobrevivência, multiplicação e diferenciação celular. Pode auxiliar no tratamento de tumor estromal gastrointestinal, de melanoma e de leucemia.

EGFR: usado para certos tipos de tratamentos usados contra cânceres de pulmão, colorretal, cabeça e pescoço.

RE: receptor de estrogênio que faz parte da família de receptores intracelulares, ativo na multiplicação celular. Pode contribuir para o tratamento de câncer de mama e de ovário.

ENCONTRANDO O TRATAMENTO CORRETO PARA CADA PACIENTE:

Com o diagnóstico do câncer e a identificação mais precisa da genética do tumor ou da presença de outros biomarcadores que possam estar relacionados a ele, a próxima etapa da oncologia de precisão é traçar um tratamento mais específico e personalizado para a doença.

No entanto, isso não significa que é possível prever quais pacientes responderão a uma determinada terapia: quando se fala em tratamento personalizado, refere-se ao grupo ao qual o paciente pertence, não a um paciente específico.

Na oncologia de precisão, o primeiro passo para estabelecer e iniciar um tratamento é identificar o perfil molecular do paciente. É ele que detecta os biomarcadores genéticos e moleculares do tumor, criando um perfil abrangente do tipo de câncer do paciente. Ele também ajuda a orientar o médico em relação à eficácia da terapia. Com base no perfil molecular, pode-se partir para algumas opções de tratamentos. Além da tradicional quimioterapia, a oncologia de precisão aposta na terapia alvo, terapia gênica, quimio-sensibilidade e imunoterapia.

• A terapia alvo é projetada para interagir com moléculas específicas no corpo, que podem ser anticorpos ou moléculas especializadas que promovem ou inibem certas atividades celulares.

• A terapia gênica utiliza genes para combater cânceres em estágios avançados. Pode funcionar principalmente de duas formas: através da inserção de novos genes nas células para reparar algum que sofreu mutação ou que esteja faltando; ou pela inativação de um gene que esteja causando o crescimento do tumor.

• A quimio-sensibilidade identifica o quão suscetível as células do tumor são aos efeitos das drogas que pretendem destruí-las.

• A imunoterapia é uma técnica que estimula o organismo do paciente a identificar as células cancerosas e atacá-las, por meio de drogas que modificam a resposta imunológica. Ou seja, em vez de atacar diretamente o tumor, os medicamentos dão um “empurrão” no sistema de defesa para que ele detecte e trate a doença. Outro potencial relevante da imunoterapia é a possibilidade de destruir ou bloquear o aparecimento de metástases.

Portanto, previna-se, faça seus exames regularmente, seja uma pessoa saudável e VIVA PLENAMENTE!

 

Dr. Renato Cramer
Médico Oncologista Clínico CRM/RS 26.802

Leia a parte 1 do artigo clicando aqui.

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